VLI Logística terá controle da malha ferroviária até 2056 | Imagem: Divulgação Vli Logística

A renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI Logística, pode tirar do papel um projeto aguardado há anos em Minas Gerais: o Contorno Ferroviário Itabira–Vespasiano.

A proposta foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em abril deste ano e encontra-se nas etapas finais, incluindo a análise do Tribunal de Contas da União (TCU). O contrato atual da concessão vence em agosto.

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Reestruturação da malha ferroviária

O processo de renovação prevê mudanças significativas na malha ferroviária, que conecta as regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, atravessando sete estados.

  • Cerca de 3,1 mil quilômetros serão devolvidos à União
  • Outros 4,1 mil quilômetros permanecerão sob concessão

Esse rearranjo abre espaço para novos investimentos, entre eles o contorno ferroviário.


Alternativa viável e estratégica

Com aproximadamente 90 quilômetros de extensão, o traçado entre Itabira, Santa Luzia e Vespasiano surge como alternativa ao antigo projeto da Serra do Tigre, considerado inviável economicamente devido aos altos custos.

O novo contorno pode redesenhar o fluxo ferroviário na Região Metropolitana de Belo Horizonte, retirando cargas pesadas do perímetro urbano e criando um corredor logístico mais eficiente.

Além disso, a obra pode aliviar um dos principais gargalos do estado, a BR-381, atualmente sobrecarregada e com impactos diretos na mobilidade e na competitividade econômica.


Impacto econômico e logístico

O vice-presidente em exercício da Presidência do Crea-MG, engenheiro civil Diego Oliveira Rosa, destaca o alcance estratégico da iniciativa:

“Estamos diante de uma oportunidade estratégica para Minas Gerais. O contorno ferroviário pode melhorar a logística, reduzir impactos nas áreas urbanas e impulsionar o desenvolvimento regional. A engenharia tem papel essencial para garantir soluções viáveis e sustentáveis para o futuro do estado.”

O projeto também é visto como essencial para o desenvolvimento do Médio Piracicaba.

Segundo o inspetor do Crea-MG em Bom Jesus do Amparo, engenheiro civil Magno Drumond, a nova ligação pode reduzir custos logísticos, fortalecer setores como mineração, siderurgia e agronegócio e viabilizar projetos estruturantes, como um porto seco em Itabira.

“A ferrovia amplia a capacidade logística, atrai investimentos e integra o Médio Piracicaba a corredores estratégicos que ligam Minas ao Centro-Oeste e aos portos do Espírito Santo.”


Engajamento técnico e institucional

Apesar do potencial, o contorno ferroviário ainda não é uma obrigação contratual. Ele foi incluído como investimento adicional no relatório da ANTT.

Isso significa que sua execução depende de estudos técnicos de viabilidade, articulação institucional e definição de prioridades.

Nesse contexto, lideranças regionais e entidades técnicas têm papel fundamental. O Crea-MG acompanha o processo e pode contribuir com suporte técnico, além de participar de debates públicos para reforçar a importância da obra.

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