Créditos: Anderson Bibico
  • Primeiro navio deve começar a operar a serviço da Vale a partir de 2029 
  • Redução de emissões será de aproximadamente 90%, dependendo do tipo de etanol 
  • Triple fuel (etanol, metanol e óleo pesado), navio terá opção de retrofit para GNL e amônia

A Vale e a Shandong Shipping Corporation concluíram um acordo de afretamento para novos navios Guaibamax movidos a etanol, que serão entregues a partir de 2029.

O acordo representa um marco sem precedentes para o transporte global de minério de ferro. Pela primeira vez na indústria marítima, o etanol será adotado como combustível principal em uma embarcação transoceânica. A iniciativa tem potencial para reduzir as emissões de carbono em cerca de 90%, em comparação com o uso de óleo combustível pesado, tradicionalmente utilizado na navegação.

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A medida reforça o compromisso da Vale com a redução de emissões ao longo de sua cadeia de valor e com a descarbonização do setor marítimo, em alinhamento com as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO).


Detalhes do acordo

O acordo entre Vale e Shandong prevê contratos de 25 anos para a construção de dois navios, com opção de ampliação para novas embarcações.

Os navios da segunda geração Guaibamax terão:

  • 340 metros de comprimento
  • Capacidade de 325 mil toneladas

Essas embarcações fazem parte de uma estratégia multicombustível da mineradora. Além do etanol, poderão operar com:

  • Metanol
  • Óleo combustível pesado
  • Possibilidade futura de conversão para GNL (gás natural liquefeito) ou amônia

Estratégia de descarbonização

Segundo Rodrigo Bermelho, diretor de Navegação da Vale, a iniciativa combina flexibilidade e eficiência energética.

A utilização do etanol, aliada à instalação de velas rotativas para aproveitamento da energia eólica, posiciona a empresa na vanguarda da transição energética no transporte marítimo global.

Considerando todo o ciclo do combustível (well-to-wake), o uso de etanol — especialmente de segunda geração — pode reduzir em até 90% as emissões de carbono.

Além do setor marítimo, a Vale também vem testando o uso do etanol em:

  • Caminhões de mineração
  • Locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM)

Redução de emissões e novas tecnologias

Os novos navios movidos a etanol serão semelhantes a outros 10 navios bicombustíveis (metanol e óleo pesado) que serão entregues a partir de 2027.

A segunda geração do Guaibamax contará com tecnologias avançadas, como:

  • Cinco velas rotativas
  • Motores mais eficientes
  • Dispositivos hidrodinâmicos
  • Gerador de eixo
  • Inversores de frequência
  • Pintura de silicone para redução de atrito

Essas inovações devem reduzir em cerca de 15% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em relação à geração atual.


Programa Ecoshipping e investimentos

As tecnologias fazem parte do programa Ecoshipping, iniciativa de pesquisa e desenvolvimento da Vale voltada à descarbonização da indústria marítima e ao aumento da eficiência da frota.

A empresa já opera embarcações altamente eficientes:

  • Valemax (desde 2011 e 2018)
  • Guaibamax (desde 2019)

Esses navios podem reduzir as emissões de CO₂ em até 41% em comparação com embarcações padrão do tipo capesize.

Desde 2020, a Vale investiu cerca de R$ 7,4 bilhões (US$ 1,4 bilhão) para reduzir suas emissões nos Escopos 1, 2 e 3.

A meta da empresa é reduzir em 15% as emissões do Escopo 3 até 2035, especialmente aquelas ligadas ao transporte marítimo.

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