A mineradora Vale anunciou nesta sexta-feira (3) o lançamento do Programa de Financiamento Imobiliário Casa Própria, que será gerenciado pela Fundação Vale de Seguridade Social (Valia).
A iniciativa atende a uma reivindicação antiga do Sindicato Metabase de Itabira e Região, liderado por André Viana Madeira, representante dos trabalhadores da Vale em todo o país no Conselho de Administração da empresa.
A proposta vinha sendo apresentada pelo sindicato desde meados de 2021. E agora se consolida como uma conquista de grande significado para a categoria, sobretudo para os trabalhadores mais jovens que sonham com a casa própria.
“Essa é uma vitória dos trabalhadores. Lutamos por isso há muito tempo, e agora conseguimos consolidar esse direito tão importante”, comemora André Viana.
Programa Bem-Estar
Conforme ele explica, o financiamento comporá a cartilha de benefícios do Programa Institucional Bem-Estar para os empregados da Vale. Essa linha de crédito será estendida também aos assistidos da Valia (aposentados e pensionistas) com idade até 80 anos.
Viana celebra a conquista, reforçando, porém, que se trata de um financiamento com regras claras e que devem ser analisadas por cada trabalhador individualmente, observando o tempo de casa, salário, saldo de contribuição à Valia, entre outros parâmetros individuais que devem ser considerados antes de aderir à linha de crédito.
“É necessário que os trabalhadores façam suas simulações e pesquisem o melhor momento e oportunidade”, recomenda André Viana.
Condições do financiamento
O Programa de Financiamento Imobiliário Casa Própria oferece uma série de vantagens que tornam o acesso à casa própria mais viável para os trabalhadores da Vale.
- Prazo de financiamento: até 360 meses (30 anos).
- Pagamento via boleto bancário.
- Valor máximo financiável: até R$ 1 milhão por imóvel.
- Cobertura: até 90% do valor total (superior aos 70% normalmente praticados pelo mercado).
- Taxas de juros:
- Regular: 7,8% ao ano + IPCA.
- Reduzida: 7,4% ao ano + IPCA (se o participante utilizar 35% da PLR para amortizar anualmente o saldo do contrato).
Essa condição especial permite pagar menos juros e reduzir o número de parcelas ao longo do tempo.
Também será possível utilizar o FGTS para dar entrada, amortizar ou quitar o contrato, seguindo as regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).
A Valia oferecerá apoio completo no processo, auxiliando na documentação e reduzindo a burocracia, sem abrir mão da segurança necessária.
Outro ponto importante é a atuação em cidades fora das capitais, onde muitas vezes há maior dificuldade para obtenção de crédito imobiliário.
A fundação ainda vai priorizar a educação financeira, oferecendo suporte para que os participantes façam escolhas conscientes e planejadas.
Lançamento e calendário
As informações sobre o financiamento estarão disponíveis no portal da Valia (www.valia.com.br) a partir desta sexta-feira, 3 de outubro.
- Abertura para contratações: 15 de outubro, nas cidades da Região Norte, como projeto piloto.
- Expansão: a partir de dezembro, para os demais estados onde a Vale atua.
Contexto do mercado imobiliário
O programa chega em meio à retração do mercado imobiliário, provocada pelas restrições de crédito que afetam diretamente o trabalhador brasileiro.
Em 26 de setembro, a Caixa Econômica Federal anunciou mudanças no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) para financiamentos imobiliários de pessoa física.
As alterações buscam alinhar a oferta de crédito à demanda e à disponibilidade de recursos da poupança, que registrou saques líquidos de R$ 7,1 bilhões no mês.
A expectativa é que essa linha só retorne em dezembro, reformulada sob o nome Poupança+, com taxas de juros entre 12% e 13%.
Outra mudança foi o aumento do valor mínimo de contratação:
- Para aquisição de imóveis: de R$ 50 mil para R$ 100 mil.
- Para construções: de R$ 50 mil para R$ 150 mil.
Segundo analistas, essa medida pode dificultar operações de menor valor, especialmente em cidades do interior.
Com essas restrições, o programa Casa Própria da Vale é visto como uma alternativa viável.
Resgate histórico
O programa resgata uma prática da antiga Fundação Vale do Rio Doce (FVRD), que nas décadas de 1970 e 1980 facilitava o acesso à moradia por meio de empréstimos subsidiados e apoio à construção de bairros como o Amazonas, em Itabira.
“Não reivindicamos que a Valia construa casas, como fazia a FVRD. O que agora conseguimos é uma linha de crédito facilitada, subsidiada e de longo prazo”, explica André Viana.
Segundo ele, esse tipo de apoio é essencial para que os trabalhadores da Vale possam constituir suas famílias com dignidade e segurança, fortalecendo o vínculo com a empresa.
“Esse subsídio é fundamental para melhorar as condições de vida e a satisfação de trabalhar em uma empresa que apoia essa justa, legítima e necessária aspiração de seus empregados”, salienta.




















