Quatro anos após o rompimento da barragem da Vale na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, três vítimas da tragédia ainda continuam desaparecidas. Os bombeiros seguem com o trabalho de buscas desde o dia 25 de janeiro de 2019, quando a estrutura se rompeu . Ao todo, 270 pessoas morreram.
Nathália de Oliveira Porto Araújo

A jovem tinha 25 anos e era mãe de duas meninas, à época com 3 e 4 anos. Nathália, formada em técnica em mineração, era estagiária na mineradora Vale. No momento em que a barragem estourou, a funcionária estava na mina e conversava com o marido ao telefone. A ligação ficou ruim. Então ela gritou”, relembra Jorge Santana de Araújo sobre a última conversa com a esposa”.
Durante sete dias seguidos, Jorge Santana procurou pela esposa em meio aos escombros da barragem. Atualmente, ele não mora na mesma casa em que a família vivia na época. No guarda-roupa, caixas guardam as roupas de Nathália, mas o viúvo evita contato com os materiais. “[A tragédia] levou o meu sonho embora. A gente tinha sonhos de estudar juntos e crescer juntos”, relatou Santana em entrevista à Record TV Minas, quando falou pela primeira vez após quatro anos.
Tiago Tadeu Mendes da Silva

O engenheiro tinha 34 anos e trabalhava há 20 dias na mineradora Vale quando foi levado pelos rejeitos da barragem. Mesmo sem a localização do corpo, a família dele decidiu comprar um túmulo que, apesar de vazio, tem sido visitado. Todo dia de Finados, Luzia Mendes, mãe de Tiago, vai ao local com o marido. “A gente não dorme, não come, esperando eles [equipes de identificação] ligarem falando acharam meu filho”, conta a mulher sobre a rotina dos últimos anos.
Tiago era o mais velho dos três filhos do casal. Ele deixou a esposa e dois filhos que, à época, tinha 6 meses e 4 anos.
Maria de Lurdes da Costa Bueno

A corretora de imóveis, então com 59 anos, estava com a família na Pousada Nova Estância. A hospedaria, que já recebeu grandes artistas, foi levada pelo mar de lama de rejeitos de minério. Maria de Lurdes é a única vítima ainda desaparecida que não trabalhava na Vale. Malu, como era conhecida, era de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo. Ela estava na cidade mineira com o marido e os dois enteados. Um deles, Luiz Talibertti, estava acompanhado da noiva. O casal celebrava a primeira gestação.
Dezessete hóspedes e funcionários estavam na pousada quando o tsunâmi varreu a região. Dentre eles, por um lance do destino, estavam Malu e a família. “Eles não iam ficar na pousada. Eles mudaram de última hora, mas não sabemos o porquê. A gente também sabe que eles tinham planejado passar aquele dia no museu de Inhotim, mas uma série de problemas com voos os colocou naquele momento na pousada”, relatou Patrícia Borelli, filha de Maria de Lourdes. Na data da tragédia, Patrícia estava nos Estados Unidos, onde mora. Ela viajou a Minas Gerais para acompanhar as buscas, mas precisou voltar para casa após semanas sem respostas.
Desde o dia da tragédia, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais mantém ativa a operação de buscas pelas pessoas levadas pela lama de rejeitos. Em mais de 1.400 dias da operação, os trabalhos foram suspensos apenas duas vezes: uma devido à pandemia de Covid-19 e a outra pelas fortes chuvas que atingiram a Grande BH no início de 2020.






















