Neste domingo (5), o MG Transplantes, unidade assistencial da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), ofereceu a onze médicos de Itabira – atuantes nos hospitais Nossa Senhora das Dores (HNSD), Municipal Carlos Chagas (HMCC) e do Pronto Socorro Municipal de Itabira (PSMI) – um curso sobre o protocolo de morte encefálica (ME). A capacitação, ministrada pelo médico Salomón Ordinola Rojas, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), aconteceu no Hotel It Itabira, para profissionais intensivistas e neurologistas.
O curso, com carga horária de oito horas, tem o objetivo de divulgar o conceito de ME entre os médicos e, consequentemente, aumentar os transplantes em Minas Gerais, reduzindo, assim, a lista de espera. A partir dessa ação, será possível implantar em Itabira o protocolo de ME e doação de órgãos.
“Estamos muito felizes com esta possibilidade. Além de conseguirmos mais vidas por meio da doação de órgão, com a implantação desse protocolo reforçamos o planejamento do prefeito Marco Antônio Lage de consolidar Itabira em um polo macrorregional de saúde pública”, comemorou a secretária municipal de Saúde, Clarissa Santos Lages.
De acordo com um dos participantes, o médico intensivista Juliano Ferreira, atuante no HNSD e HMCC, muitas vezes o médico não dá o diagnóstico de ME em razão da falta de conhecimento adequado do protocolo, cujos critérios estão estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CRM), desde 1997.
“Desde a última atualização da lei que regula a Determinação de Morte Encefálica no Brasil, para se determinar essa causa em um paciente, são necessárias as avaliações de dois médicos diferentes, especialistas e, que, obrigatoriamente, têm o curso para isso. No ano passado, tivemos quatro pacientes com provável morte encefálica aqui em Itabira, para os quais não pudemos abrir e finalizar esse protocolo”, explicou.
Em Itabira, atualmente, apenas uma profissional médica possui a qualificação, o que impossibilita o diagnóstico por ME. “Esse curso tem a intenção de que sejamos treinados para identificar um paciente em morte encefálica, abrir e encerrar adequadamente o protocolo aqui mesmo na cidade, sem a necessidade de se transferir o paciente para Belo Horizonte, nossa referência hoje”, salientou o médico intensivista.
O médico Salomón Rojas, instrutor do curso, ressaltou o entusiasmo dos participantes e disse acreditar que toda a classe médica estará envolvida na melhora do diagnóstico de ME. “Para mim, foi um privilégio compartilhar com os colegas de Itabira minha experiência, porque será um chute inicial no diagnóstico de morte encefálica aqui na região, na qual teremos, com certeza, o envolvimento dos colegas. Acredito que nós teremos ainda uma virada de página para melhorar o diagnóstico de morte encefálica e, com isso, poderemos aumentar as doações de órgãos”, finalizou Salomón Rojas.




















