Foto: Sunday Guardian Live / Reprodução

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cumpriu mandado de prisão preventiva contra uma mulher, de 38 anos, investigada por extorsão, em Santa Luzia, Região Metropolitana de Belo Horizonte, nessa segunda-feira (24/10). Conforme apurado, para a prática do crime, a suspeita convenceu a vítima de que ela e os filhos estariam amaldiçoados e exigia valores para a realização do trabalho espiritual de retirada da maldição.

Segundo o delegado Fábio Lucas Gabrich Cruz e Silva, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Santa Luzia, a vítima, uma mulher de 40 anos, sofreu prejuízo financeiro estimado em R$ 10 mil. “Pela condição de líder religiosa que a investigada se colocava, a vítima acabou acatando todos os desejos da suspeita, inclusive vendendo praticamente todos os imóveis e eletrodomésticos de sua casa por valores irrisórios, além de repassar o cartão de benefício de sua filha, que tem deficiência intelectual”, conta.

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O delegado informa também que a investigada exigia o dinheiro sob o argumento de que seria utilizado para a compra de instrumentos necessários para a realização dos trabalhos. “Ela dizia que esses bens eram de alto valor, chegando uma vela a custar R$ 2,5 mil”, exemplifica. Mas havia, ainda, o dano psicológico. “Tamanha a submissão que a vítima ficou em relação à investigada, que ela chegou a controlar até os seus hábitos diários, como sair de casa e se relacionar com determinadas pessoas somente com autorização da suspeita”, completa.

Fábio Gabrich pontua que a vítima veio a ingerir veneno e deixar uma carta de despedida. “Esse crime estava ocorrendo de forma contínua desde o início do ano e chegou a um ponto desesperador para a vítima. Nessa carta, ela deixa clara a extorsão, falou que vendeu todos os bens de sua casa, tudo que ela adquiriu durante toda a vida, acreditando que havia um mal naqueles bens e que eles poderiam causar o mesmo às suas filhas. Por isso, ela vendeu tudo. Ela realmente já não estava aguentando mais a extorsão”, relata.

Outros crimes

A PCMG investiga também um crime de furto na residência ao lado da casa da vítima da extorsão. Segundo o delegado, a mulher de 40 anos teria sido convencida a passar informações à investigada que favoreceram a entrada de suspeitos ligados a ela para entrar no imóvel e furtar duas televisões e um micro-ondas. “Ela [suspeita] dizia que esse vizinho havia causado um mal à vítima e por isso ele deveria ser castigado a critério da religião, e esse castigo seria a subtração de bens”, conta.

Fábio Gabrich completa que há um outro inquérito policial instaurado para apurar o crime de extorsão contra uma idosa que teria sido vítima da mesma investigada, usando o mesmo artifício de mal espiritual. Segundo relatos à polícia, a senhora chegou a entregar à suspeita uma quantia aproximada de R$ 85 mil.

A mulher detida ontem foi encaminhada ao sistema prisional e se encontra à disposição da Justiça. As investigações prosseguem pela equipe da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Santa Luzia.

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